quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Tombos progressivos

A derrubada das cotações é parte de fenômeno que alcança praticamente todas as commodities. É fator de enorme gravidade que atinge em cheio a economia do Brasil, que fatura em torno de US$ 125 bilhões por ano, apenas com exportações de commodities

O Citibank advertiu na terça-feira que o preço do minério de ferro está a caminho de um escorregão até o nível dos US$ 50 por tonelada. Hoje, está à altura dos US$ 75, menor preço em mais de cinco anos. Mas, em fevereiro de 2011, chegara muito perto dos US$ 200.
É essa perspectiva de perda seguida de faturamento que vem derrubando as ações da Companhia Vale, uma das três maiores fornecedoras de minério de ferro do mundo. Nos últimos 12 meses, desvalorizaram-se 36%.
A derrubada das cotações é parte de fenômeno mais amplo, que alcança praticamente todas as commodities. É fator de enorme gravidade que atinge em cheio a economia do Brasil, que fatura em torno de US$ 125 bilhões por ano, apenas com exportações de commodities.
SojaPetroleoMinerio
Em nenhum momento o governo Dilma deu a entender que está consciente das implicações que o fim da bonança externa, de preços exuberantes das commodities, que durou mais de dez anos, terá para a economia brasileira. Sempre que o governo se manifestou sobre o desempenho insatisfatório das exportações foi para atribuí-lo ou à ação da estiagem ou da crise externa, como se se tratasse de problemas passageiros de pronta reversão.
A queda de preços das commodities apenas episodicamente se explica por quebra de consumo global. No momento, o fator decisivo é o aumento da oferta em ritmo superior ao da demanda. Foi o que aconteceu com o petróleo, que enfrenta a revolução do xisto nos Estados Unidos. E é, também, o que está acontecendo com o minério de ferro. Não foram apenas as três grandes (Vale , Rio Tinto e BHP Billiton) que intensificaram investimentos e produção. Milhares de pequenas mineradoras aproveitaram os preços recordes para empurrar a produção para todos os mercados do planeta.
Ainda que insatisfatório, há, sim, crescimento econômico global. Em 2014, o PIB dos Estados Unidos deve avançar 2,2%; o da área do euro, 0,8%; o do Japão, 1,0%. A China, principal importadora de matérias-primas, apenas deixou de crescer àquela velocidade, de 10% ou 12% ao ano. Hoje, sua atividade econômica marcha a ainda altamente invejáveis 7,5% ao ano.
A derrubada dos preços do petróleo e das demais commodities tem densidade para produzir grandes vítimas e mais crises. A Rússia, importante exportadora de petróleo e gás, deverá passar por graves apuros. A Venezuela, que já vinha afundando, vai afundar mais ainda, porque seu orçamento só conseguiria fechar se o petróleo estivesse acima dos US$ 120 por barril de 159 litros (hoje está a US$ 77). A Argentina, que vem sangrando há anos, vai sangrar ainda mais. E, ontem, o secretário do Tesouro da Austrália, Joe Hockey, alarmado com a quebra das exportações de minério de ferro, pediu diversificação da economia.
O Brasil já vinha acusando deterioração no balanço de pagamentos, a contabilidade que registra entrada e saída de recursos. Mas até agora ostentava invejável superávit no intercâmbio de mercadorias (balança comercial). Agora tenderá a produzir déficit, possivelmente já neste ano. E o enfraquecimento das contas externas exigirá mais concessões e mais empenho em atrair dólares para garantir os pagamentos sem perda das reservas.
A perda de faturamento com exportações não é o único impacto na economia brasileira. À medida que as receitas dos exportadores também encolherem, menos recursos circularão pela economia, com prejuízo inevitável para o consumo e para o emprego.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

As empresas brasileiras amarelaram em globalização

Apenas duas companhias, Copersucar e Três Corações, partiram para o exterior ao longo de 2013

AFP
A Estátua da Liberdade, em Nova York, é um dos 30 tesouros nacionais americanos ameaçados pelas mudanças climáticas
Estátua da LIberdade, em Nova York: México e Chile têm mais sucesso em ganhar o mundo do que o Brasil no momento
São Paulo - Se o mercado doméstico não anda animador, as empresas brasileiras deveriam estar batalhando por novos clientes em outras plagas? Não é o que está ocorrendo, como mostra um estudo feito pela consultoria Maksen em parceria com as escolas de negócios Insper e Lisbon MBA.
Desde a crise de 2009, o movimento de internacionalização, isto é, de ampliação do número de companhias com operações no exterior, arrefeceu e não reaqueceu até agora.
Em 2013, apenas duas empresas, a Copersucar e a Três Corações, ambas fabricantes de alimentos, fincaram estacas fora.
No biênio 2011-2012, o Brasil registrou redução de 4 bilhões de dólares no investimento de suas multinacionais no exterior.
Entre as razões apontadas para isso estão o alto custo do capital, a acomodação a um vasto e protegido mercado local e a falta de uma cultura de internacionalização. Em contraste, outros emergentes, como México e China, avançam cada vez mais pelo mundo.

São Paulo e Rio de Janeiro perdem para Buenos Aires em ranking global

São Paulo e Rio de Janeiro perdem para Buenos Aires em ranking global de centros financeiros

Yolanda Fordelone
segunda-feira 04/08/14

São Paulo ficou em 38ª posição e Rio de Janeiro em 45ª; Buenos Aires, mesmo em crise, ficou em 25º lugar

Foto: Daniel Teixeira/Estadão
Apesar da crise, financeira e econômica, pela qual nossos vizinhos hermanos passam, Buenos Aires despontou 21 posições em um ranking de centros financeiros globais, ficando na 25ª colocação, segundo a consultoria Z/Yen Group. São Paulo, por outro lado, permaneceu estável em relação ao último levantamento, ficando em 38º lugar. A lista possui 83 cidades.
Além de São Paulo, entre as cidades brasileiras aparece no ranking o Rio de Janeiro, em 45ª posição. A capital fluminense caiu 14 lugares desde a última pesquisa. Ambas as metrópoles aparecem como centros financeiros locais e não globais. Entre os centros globais em mercados emergentes, a consultoria citou Beijing, Luxemburgo, Milão e Moscou.
Buenos Aires foi a cidade com maior avanço no ranking. Em contrapartida, Roma foi a que mais caiu. A cidade italiana perdeu 19 posições, ficando em 54º lugar.
Na elaboração do ranking são utilizados como parâmetros a taxação de impostos (clareza, transparência e simplicidade), ambiente de negócios (corrupção, transparência e leis), desenvolvimento do setor financeiro, infraestrutura, capital humano, acesso do mercado e reputação em geral.
Na liderança do ranking também houve alterações. Londres que liderava agora aparece em segundo. A cidade de Nova York está em primeiro. A consultoria também lista as cidades que tendem a se tornar mais importantes: Casablanca (Marrocos), Busan (Coréia do Sul), Cingapura, Hong Kong, Xangai, Dalian (China), Seul, Dubai, Luxemburgo e Londres.

sexta-feira, 21 de março de 2014

From foreclosures to fighting for homes


How retired corporate attorney Thomas Cox found purpose in his second act helping low-income families fight wrongful foreclosures  140320121833-thomas-cox-620xa
FORTUNE -- Thomas Cox, 70, is not a professional homebuilder. Nonetheless, Cox found himself working in construction in Maine for about six years during the 2000s. Those were some of the more rewarding years of his career, he says.
Cox's inspiration to build homes hit him suddenly after spending decades watching them get destroyed. A former managing partner at a prominent Maine law firm, Cox worked for 25 years helping banks engineer foreclosures. When the savings and loans crisis hit the U.S. in the late 1980s, Cox worked with the Federal Deposit Insurance Corporation collecting faulty loans from members of his small Maine community.
"It was really difficult, dark work, but it needed to be done," says Cox. "Taking people's homes is extremely unpleasant. Shutting down their businesses when they are fighting like crazy to keep them open is worse."
Cox made $300,000 a year during the peak of his career, but said no amount of money could shake the significant toll the work was having on his mental health. Suffering from bi-polar disorder and depression, the Pennsylvania-native decided to leave the practice entirely in 1998 to pursue treatment options.
A few years later, after battling through a divorce and a slew of treatment options, a former client approached him about joining his carpentry business. The timing was perfect: Cox wanted to get back to a daily work routine and he always enjoyed projects that produced tangible results. "As a lawyer, when you are done with a day of work all you have is a pile of papers to look at," explains Cox. "When I built something with my own hands, it took a lot of the pressure off."
Medical professionals urged Cox not to go back into the legal profession. Stress is a major trigger of depression and he didn't need a doctor to tell him that a majority of his anxiety was work related. Yet when the foreclosure crisis hit the country around 2008, Cox found himself wanting to get involved. Around the same time, a local non-profit was launching an organization to provide legal help for low-income homeowners facing foreclosures: Main Attorneys Saving Homes.
Once again, Cox felt a call to action to build homes -- this time in a different way.
That year, he began taking on cases for MASH on a pro-bono basis. The organization considered Cox to be an in-house expert. After all, he wrote the book on foreclosures in Maine – literally. In 1989, he authored a text that outlined the most effective and legal foreclosure methods. So when he started digging into client cases it wasn't difficult for him to spot instance after instance of bank malpractice when seizing homes and businesses.
"I was stunned by the abuses I was seeing," he says. "I saw extraordinary sloppiness and outright deceivability of the legal system."
One 2009 case in particular set off the alarm bells in Cox's strict law-abiding head. A large mortgage servicer firm at the time – GMAC Mortgage – wanted to take the home of his client, Nicole Bradbury. Cox sensed something wasn't right about the GMAC employee who signed the foreclosure affidavit against Bradbury. The employee swore under oath that he had personal knowledge of information that Cox knew was impossible for him to know about. After more than year of working on the case, the employee in question admitted to signing thousands of foreclosure affidavits for GMAC without even looking at the papers associated with the case.
The discovery allowed Bradbury to keep her home, but also exposed the prevalent malpractice later known as "robo-signing" foreclosure contracts. GMAC was forced to suspend all their foreclosure activity. That same year, the non-profit Encore awarded Cox $100,000 for using his professional expertise to serve the common good.
"It is hard to describe the feeling of saving someone's house," Cox says. "Knowing that if I had not contributed, what all those people would have lost is really powerful."
Today, Cox is working to instill the same passion and staunch abidance for the law that brought him back into the profession for the second act of his career. Traveling around the country on a monthly basis, Cox has spoken to thousands of lawyers about best practices in foreclosure law. He is also still taking on cases with MASH where he has assisted hundreds of families get their homes back.
The workload is approaching the demanding hours that Cox, who is set to get remarried this Fall, remembers from his corporate career with the big banks. But the stress is nowhere to be found.
"My future wife is kicking me," he says. "I am working way more than 40 hours a week, but I am loving it. I am thriving on it."
WORDS OF WISDOM
Advice For Retirees Considering A Move From Corporate To Non-profit
"Find something that you can really have a passion for and that feeds your soul. My profession that I loved, private practice, has lots of challenges, but it is a noble passion. Now I found a way to work within it to make it better and that feeds my soul."
What He Wishes He Knew Before The Switch
"Working pro-bono is limited. Also on the flip side for me personally, I have so much energy for what I am doing it became a problem to pace myself."
 Biggest Challenge
"Staying organized. One of the things that I just starting doing reasonably well is starting to collect and organize everything that I learned. I had to build a structure as I went along. I don't know if I could have done it without staying organized."
 Biggest Reward
"When I was in private practice, I had law partners that I was seeing every day. I maintain relationships with some of them today, we took great pride in representing our clients well, but the relationships were essentially all about money. Now working with Main Attorneys Saving Homes, everyone has a mission of doing good work and helping people in need and money is not in it at all. It is a shared sense of doing good work and that is very powerful."