sábado, 30 de novembro de 2013

Melhores investimentos

Com tendência de alta do juro, renda fixa volta a brilhar nas carteiras

Veja qual produto é mais adequado ao seu bolso: até R$ 10 mil, de R$ 10 mil a R$ 100 mil e acima de R$ 100 mil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza hoje e amanhã a última reunião do ano e deverá anunciar uma nova alta nos juros - a sexta consecutiva. A expectativa é de uma elevação de 0,5 ponto porcentual na Selic, para 10% ao ano. Aos olhos do investidor, isso significa que a renda fixa volta a ficar atrativa.
"A alta eleva o CDI, que baliza as aplicações em renda fixa. Os investimentos atrelados ao CDI, portanto, passam a ter um atrativo maior", diz o professor e pesquisador do Instituto Assaf, Fabiano Guasti. E a perspectiva é de que a elevação do juro não pare por aí. Para o fim de 2014, analistas consultados na pesquisa Focus projetam a Selic em 10,5%.
No mercado, as alternativas são muitas: fundos DI e de Renda Fixa, Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e Tesouro Direto - isso só para citar algumas. A escolha do produto, contudo, depende do tamanho do bolso de quem irá aplicar.
Até R$ 10 mil. Para esta faixa de valor, uma das principais preocupações recai sobre a taxa de administração cobrada nos fundos, que costuma ser mais elevada entre os pequenos investidores.
Segundo a última pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), de setembro, apesar de em média ser cobrada uma taxa de 1,21% em fundos referenciados DI, a tarifa aumenta para 3,29% naqueles que exigem valor inicial menor, de até R$ 1 mil. Quanto maior a taxa, menor é a atratividade, já que a tarifa come boa parte dos ganhos.
"A caderneta de poupança perde para fundos que cobram até 1,5% de taxa de administração", diz o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), José Dutra Vieira Sobrinho. Portanto, se esse investidor conseguir um fundo DI ou de renda fixa que cobre até 1,5% de taxa, a aplicação vale a pena. "Caso contrário, a melhor opção é a própria poupança", comenta Guasti, ao lembrar que nesta aplicação não há Imposto de Renda nem taxa de administração.
O Tesouro Direto também é uma boa alternativa, visto que os juros reais estão na faixa de 5% a 7%. O alerta neste caso é sobre o resgate. Especialistas indicam que o investidor aplique em títulos públicos somente o dinheiro que possa ser deixado até o vencimento. Isso porque, se os papeis forem vendidos antes do prazo, há o risco de os preços estarem baixos, gerando perdas.
Além das Letras Financeiras do Tesouro (LFT) - papéis pós-fixados que rendem a própria Selic média -, há títulos atrelados à inflação e prefixados. Atualmente, o título mais barato é uma NTN-B Principal, que custa R$ 628, mas é possível investir frações de 10% do papel (R$ 62,80).
Os CDBs, por sua vez, não são indicados, já que dificilmente se conseguirá uma rentabilidade acima de 85% do CDI. Essa porcentagem, segundo cálculos do professor Dutra Sobrinho, empataria com a poupança em um período de um ano, no qual o Imposto de Renda é de 17,5%.
De R$ 10 mil a R$ 100 mil. Para este investidor, parte da carteira pode ser aplicada em CDBs, desde que negocie melhores taxas de retorno. "Com R$ 50 mil, é provável que o investidor já consiga uma taxa mais interessante nos CDBs, de 90% a 95% do CDI", afirma Dutra Sobrinho.
O Tesouro Direto continua a ser uma opção para aqueles que pretendem manter o dinheiro investido até o vencimento. Além disso, os fundos são indicados, desde que também possuam taxas menores. "Com esta carteira, é possível tentar negociar a taxa de administração com o gestor, gerente do banco ou corretor", diz Guasti.
Nesta faixa, começam a surgir produtos diferenciados, como é o caso da Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Por ser isenta de Imposto de Renda para pessoa física, a LCI oferece um retorno maior que um papel de renda fixa comum.
Este produto funciona como um CDB. Ao comprá-lo, o investidor empresta recursos ao banco para que ele faça empréstimos, mas na LCI o dinheiro é direcionado especificamente para o crédito imobiliário. A desvantagem é a liquidez. Por isso, vale a mesma regra do Tesouro Direto: só investir se for ficar até o vencimento. Na Caixa Econômica Federal, a aplicação mínima é de R$ 50 mil, com prazo mínimo de resgate de 60 dias.
Acima de R$ 100 mil. Para todas as carteiras vale a regra da diversificação, mas em grandes fortunas é possível inovar não só nos produtos, mas também nos prazos. "A nossa recomendação até agora era ficar na renda fixa mais curta esperando o juro subir. Neste momento, acreditamos que a Selic já aumentou o suficiente e é indicado alongar um pouco mais o vencimento dos papéis da carteira. Há mais risco, mas o retorno também tende a ser maior", avalia o diretor do UBS Wealth Management, Paulo Corchaki, que trabalha com carteiras acima de R$ 3 milhões.
Nesse sentido, os títulos de inflação surgem como uma boa opção. "Para este tipo de papel é possível pegar vencimentos em 2022 ou 2024", comenta Corchaki.
Além disso, a recomendação no Tesouro Direto, assim como na LCI, continua válida. Vale lembrar que no Tesouro Direto há um limite máximo de compras por mês, de R$ 1 milhão. Além da LCI, a LCA surge como alternativa, por ser isenta de IR.
"A aplicação mínima gira ao redor de R$ 100 mil. Se aplicar hoje, você consegue um retorno em torno de 11,60%, o que equivaleria aplicar a 13% em um título de renda fixa que tenha cobrança de imposto", compara Corchaki, ao lembrar que uma rentabilidade de 13% livre de risco é difícil de ser obtida, ainda que a Selic esteja em tendência de alta.
Em relação aos fundos, Corchaki ressalta que neles há a dificuldade de o investidor controlar o prazo de vencimento dos papeis. "Há vencimentos constantes e os gestores sempre rolam as posições sempre", diz. Ou seja, se o fundo possui um prazo médio de vencimetno dos papeis de dois anos, isso não significa que se você entrar hoje e sacar daqui dois anos pegará o vencimento de todos eles, pois no meio do caminho alguns títulos já venceram e os gestores reaplicaram o dinheiro em novos papeis de dois anos.
Outra opção são as debêntures, segundo Vieira Sobrinho. Os papéis de crédito privado, porém, costumam embutir um risco maior. Por isso, o investimento deve ocorrer somente após uma avaliação cuidadosa.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Os gafanhotos e o dólar

 José Paulo Kupfer

No começo da tarde desta quarta-feira, as cotações dólar subiam e rondavam os R$ 2,15 – fecharam a R$ 2,152, sem intervenções do Banco Central.  Nesta terça-feira, as cotações chegaram a bater em R$ 2,16, mas recuaram para R$ 2,13, depois de duas intervenções do Banco Central, vendendo moeda americana. Rumores de que o governo pode ampliar as desonerações de IOF no mercado cambial – confirmados na quarta-feira – também ajudaram a desinflar as cotações.
Trepidações nas cotações do dólar, como as agora observadas, deverão prosseguir por um período de tempo ainda imprevisível. A tendência de curto prazo é de valorização do dólar, mas o que se imagina, no mercado cambial, é que o Banco Central tentará não deixará a taxa de câmbio descolar muito de R$ 2,15 por dólar. Para quem tem planos de viajar para o exterior é hora de programar a compra, aos poucos e aproveitando o vaivém das cotações, para compor uma cotação média mais favorável.
O mercado cambial entrou em regime de turbulência por uma combinação de razões – externas e internas. A principal delas é a perspectiva de melhora da economia americana, com a retomada mais firme do emprego, e, em consequência, o início da reversão da política de afrouxamento monetária, aplicada, nos últimos anos, pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
Com a perspectiva de recuperação da economia, autoridades americanas passaram a discutir o momento de iniciar um programa de suspensão gradual da injeção regular de dólares adicionais no mercado, como forma de ampliar a liquidez financeira, mantendo juros muito baixos e, assim, estimular a economia. As primeiras consequências de um eventual enxugamento monetário seriam altas nos juros e valorização do dólar.
Embora ainda não esteja em curso, a perspectiva de que esse programa de enxugamento da liquidez extraordinária venha a ser executado está mexendo com o mercado financeiro global. O dinheiro solto no mundo – uma montanha que passa dos US$ 200 trilhões, o equivalente a mais de quatro vezes o total da produção global de bens e serviços, em um ano – começou a se movimentar, como uma nuvem de gafanhotos, saindo de várias partes do mundo, rumo ao mercado americano.
Essa movimentação coincidiu com um momento em que a economia brasileira enfrenta problemas. Além de inflação alta e crescimento baixo, o Brasil vem acumulando déficits crescentes em suas contas externas. Esse fato indica que o País necessitará de mais recursos em moeda estrangeira para cobrir esses déficits. O aumento da demanda por dólares na economia brasileira, na hora em que a oferta de dólares se reduz, pela preferência por outro mercado, ajuda a empurrar para cima cotação da moeda americana, no mercado de câmbio brasileiro.
De acordo com um levantamento do HSBC, o real brasileiro, como relata o correspondente da Agência Estado em Londres, Fernando Nakagawa, está entre as cinco moedas que mais se desvalorizaram, desde o começo de maio, num grupo que reúne as 30 mais importantes delas. Os campeões de desvalorização são emergentes de tamanho grande e mercado financeiro amplo, além de economias exportadoras de commodities.  A lista é encabeçada pelo rand sul-africano e segue com a rupia indiana e dólares de Austrália e da Nova Zelândia. Quinto colocada, a moeda brasileira já perdeu, no período, 6% de seu valor.

Inflação versus câmbio


José Paulo Kupfer
Com o resultado de maio, a inflação em 12 meses, medida pelo IPCA, bateu no teto da meta e, com certeza, vai mais longe em junho – entre 6,7% e 7%. Nos meses seguintes, a tendência, no acumulado em 12 meses, é de recuo, com a maior parte dos analistas ainda mantendo apostas numa alta, em 2013, entre 5,5% e 6%.
Há, no entanto, elementos novos no ambiente econômico, que tornam mais complicadas as projeções para a evolução dos índices de preços. A combinação de altas mais agressivas nos juros com a percepção de que as contas externas se deterioram, no momento em que, com a expectativa de recuperação da economia americana, o dólar ganha força, tem o poder de mexer com os preços relativos e, portanto, atingir os índices de inflação.
Não é tanto o impacto direto dos juros mais altos sobre os preços, até porque seu efeito deflacionário costuma levar algum tempo para se concretizar. Ocorre, porém, que os movimentos nos juros também afetam as taxas de câmbio e é aqui que o terreno ficou mais irregular e movediço, inclusive para os exercícios de projeção das altas de preços.
A trajetória da taxa de câmbio, de agora em diante, ajudará mais de perto no traçado do caminho que será seguido pelos índices de inflação. Como o cenário prospectivo se caracteriza pela ação de duas forças antagônicas, o desafio de adivinhar a rota do câmbio – e, em consequência, da inflação – não será dos mais triviais.
Altas nos juros tendem a valorizar a moeda local, enquanto percepções de que as contas externas se deterioram –, caso, no momento, da economia brasileira – atuam no sentido inverso. Com a atração de dólares para os Estados Unidos, na esteira da perspectiva de reversão dos afrouxamentos monetários, serão necessárias mais ações para atrair moeda estrangeira e impedir desvalorizações mais fortes do real, evitando novas pressões inflacionárias.